A Infraestruturas de Portugal (IP) e a concessionária AVAN iniciaram as obras do primeiro troço da futura linha de alta velocidade Porto-Lisboa, que ligará Porto-Campanhã e Oiã, junto a Aveiro.
O contrato, conhecido como PPP1, prevê cerca de 71 km de nova via dupla eletrificada em traçado próprio, concebida para velocidades de até 300 km/h.
O arranque dos trabalhos marca a passagem do projeto para a fase construtiva. A concessão foi assinada a 29 de julho de 2025 com a AVAN Norte, sociedade constituída pelo consórcio português LusoLav, e tem a duração de 30 anos: os primeiros cinco para conceção, expropriações, construção e certificação, e os 25 seguintes para manutenção, conservação e disponibilidade da infraestrutura.
Um troço de 71 km
O primeiro troço decorrerá entre a estação de Porto-Campanhã e Oiã, no concelho de Oliveira do Bairro. Incluirá uma ligação de cerca de 8,3 km com a Linha do Norte na zona de Canelas, que permitirá o acesso à atual estação de Aveiro, que a IP adaptará à alta velocidade.
A obra contempla perto de oito quilómetros de túneis e 19 quilómetros de pontes e viadutos, entre os quais uma nova travessia rodoferroviária sobre o rio Douro. Prevê ainda a adequação de Campanhã à alta velocidade e a construção de uma nova estação subterrânea em Santo Ovídio, em Vila Nova de Gaia.
A nova estação de Santo Ovídio ligará às linhas H e D do Metro do Porto e ao futuro terminal rodoviário. Em Campanhã, a infraestrutura ligará às linhas do Norte e do Minho, a cinco linhas de metro (A, B, C, E e F) e ao terminal intermodal, reforçando o papel da estação como intercetor do norte de Portugal.
Financiamento e calendário
O projeto é desenvolvido através de uma concessão público-privada de três décadas. O financiamento inclui 875 milhões de euros do Banco Europeu de Investimento e 480 milhões de euros do mecanismo europeu Conectar Europa, segundo os dados publicados pelo Governo português e pela IP.
A conclusão do troço Porto-Oiã está prevista para 2030, embora devam ser tidos em conta eventuais atrasos. A IP prevê que os troços seguintes, de Oiã a Soure e de Soure a Carregado, estejam concluídos em 2032, de modo que a linha completa permita ligar Porto e Lisboa em cerca de uma hora e 15 minutos, face aos atuais cerca de duas horas e 48 minutos.
Impacto na rede ferroviária
Para além da redução dos tempos de viagem, a nova linha tem um objetivo estrutural: transferir os serviços de longo curso mais rápidos para um corredor dedicado e libertar capacidade na Linha do Norte, que se encontra saturada. Essa capacidade poderá ser destinada a comboios regionais, suburbanos e de mercadorias.
O projeto enquadra-se na Rede Transeuropeia de Transportes e no Programa Nacional de Investimentos 2030. A futura rede de alta velocidade manterá ligações à Linha do Norte para servir Aveiro e Coimbra, e à Linha do Oeste para dar serviço a Leiria, alargando assim os benefícios do corredor para além das estações situadas diretamente no novo traçado.
Durante a cerimónia de início das obras, o presidente executivo da IP, Paulo Carmona, sublinhou que o projeto representa um investimento estratégico para a competitividade do país, a coesão territorial e a sustentabilidade ambiental. Por seu lado, o representante da AVAN, Carlos Mota Santos, destacou que o consórcio é constituído integralmente por empresas portuguesas.
Com o início dos trabalhos entre Campanhã e Oiã, a alta velocidade ferroviária em Portugal deixa de ser um projeto em fase de planeamento e começa a materializar-se no terreno.

